sexta-feira, 26 de novembro de 2010

' A Felicidade é um Direito - Por Rubens Lemos




Ao saber que a felicidade, um estado de espírito, pode virar direito no Brasil, meus olhos caem sobre os homens que freqüentam a praia e os bares durante a semana. Aqueles que eu mesmo já não quis enquadrar como cidadãos e me dei ao cabimento de classificar de vagabundos ou desocupados.
São homens felizes porque fazem o que querem e a ninguém incomodam, desprezam as convenções, os conchavos e as intrigas que o sem-caratismo pátrio impinge a cada um de nós, apodrecendo as relações humanas.
Os homens que silenciosamente se entregam ao mar ou ao copo já sabem de cor e salteado os incisos e parágrafos informais da Proposta de Emenda Constitucional que o senador Cristóvam Buarque(PDT/DF) elaborou, resguardando-se de que é impossível assegurar, em lei, a felicidade de qualquer pessoa.
O que ele quer é que o Estado garanta condições mínimas para que o indivíduo tenha um bem-estar assegurado. Em regra básica, saúde funcionando, escola de boa qualidade, segurança para todos e trabalho para os que não têm. Quem, em sã consciência, não ficaria satisfeito com estas utopias tornadas reais?
Volto aos homens das areias de praia e dos botequins. Hoje eu me certifico e dou fé que eles, se nada produzem para o crescimento do PIB ou do avanço tecnológico e armamentista, tampouco contribuem para a corrupção, danam-se para as articulações de bastidores e desconhecem os invejosos.
É que a vida para eles, se resume à natureza deles próprios: Um mergulho nas ondas, uma pelada como se a dianteira do Caravela Bar, na Praia dos Artistas, fosse o Santiago Bernabeu, e uma cerveja gelada, tomada com gosto ou na obrigação hepática.
São estes os cidadãos felizes que fantasiam, sempre para o bem, criam histórias, produzem heróis e finais impossíveis porque no Brasil, por regra, prevalece o mal como verdade. São estes os homens que estão libertos dos paladinos da moralidade dos ricos,dos oradores dos potentados e dos aduladores dos poderosos.
São eles que, como na música de Paulinho da Viola, um hino de paz interior, se deixam navegar pelo mar sem risco de afogamento, que é o corre-corre trôpego da vida urbana e do caos, da ambição e da cobiça que movem os homens de bem e saber de teorias e regras estabelecidas.
Todos têm direito à felicidade que está num gol, num orgasmo, numa música, num poema, num fazer nada, num belo texto, num filho que dá orgulho, numa mulher companheira, numa sinceridade mais adequada que a covardia. A felicidade, como no salmo bíblico, está em cada um de nós.
Ou jamais estará, nos infelizes de nascença ou placenta. Para eles, nem lei, decreto-lei ou atos institucionais estabelecerão o supremo prazer de saber que no espelho interior, há um rio perene, limpo, de águas mornas e, se não for pedir muito, com uma cachoeira de curar ressaca.


Fonte: www.rubenslemos.com.br


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